EGO SUM PERSEVERANTIA

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João Marcos Dadico
Belo Horizonte, MG, Brazil
Graduado em Artes Cênicas pela UFMG em 2004, com o espetáculo “Lírios” dirigido por Fernando Mencarelli. Dedica-se a técnica teatral desde a operação de som, à montagem de equipamentos, mas especialmente a criação de luz para o teatro, com Gil Esper e Marina Arthuzzi. Participou em 2006 da criação de luz dos espetáculos: “O último vôo do flamingo”, vencedor do 4º prêmio USIMINAS/SINPARC de melhor criação de luz categoria adulto, e “Quando peixe salta”, vencedor do 4º prêmio USIMINAS/SINPARC de melhor espetáculo categoria teatro adulto, além do espetáculo “Máquina de Pinball”, indicado a categoria melhor criação de luz e vencedor da categoria melhor cenário pelo 3º Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora. Atualmente desempenha função técnica em vários grupos de Belo Horizonte.
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Pandora esclarecida...

Só.
Mais uma vez só.
Agora verdadeiramente,
um deserto flamejante.
Todos ao redor,
mas nada conseguem alcançar.
Na minha mente:
você.
Da sua mente: 
minhas memórias.
Todos abandonaram minha caixa.
Somente a esperança lá repousa.
E sua companhia,
revela apenas um desejo.
Aguardar sua saída, só revela
a mais triste solidão.

Entomopata.

Desde pequeno eu comecei a dedicar minhas pequenas maldades aos insetos. Eu não entendo o que faço a eles como maldade, para mim é mais um ato de bondade com a humanidade. Livrai-nos desses pequenos incômodos a nossa vida. Comecei com as formigas, sempre abundantes. No primeiro grau meus coleguinhas me ensinaram a pegar formigas saúva, aquelas bem cabeçudas. Pois é! Colocávamos ela para morder a roupa e então arrancávamos o corpo fora! Éramos verdadeiros pigmeus caçadores de cabeça de saúva! Com várias enfileiradas, como patentes de um exército bizarro de anões. Logo depois que eu comecei a fumar, o advento do isqueiro na minha vida, mudou para sempre minha relação com os insetos. O primeiro lança-chamas a gente nunca esquece! Eu usava o isqueiro nelas e elas ficavam tontas, cambaleantes, loucas de tanta dor. E quando a pernas queimam, elas ficam paradas esticando as patas boas, como que pedindo: - Me ajudem, por favor me ajudem...! E aí você vai e PFRRRRURURRUFF termina de fritar ela. A cabeça brilha como a brasa de um carvão. É lindo! Depois eu passei a utilizar o carregador do isqueiro, aquele de gás comprimido, é um excelente congelante. Adorava usar ele naquelas formigas bem pequeninas que fazem longas filas. Eu passava um jato de gás e ficava aquela linda fileira de formiguinhas congeladas. Lindo também. Depois eu comecei a aperfeiçoar minhas artes pirotécnicas nos Aedes Aegypti. Como nessa cidade eles estão por toda parte, ninguém daria falta de um ou outro desses pequenos demônios. Eu os acerto numa palmada e aí eles caem zonzos, então pego o meu isqueiro e aproximo a chama da cabeça deles até ouvir um Fiiiiiiii, bem agudo. É como música. É muito parecido com queimar carrapatos de cachorro. Aqueles gordos, cinzas, evaporam o sangue dentro do corpo ante de queimar. Amo odiar os insetos!

Monções!

Depois do aquecimento global, não existe mais primavera e outono no sudeste brasileiro. Agora temos solstícios de verão e inverno e equinócios monçônicos. Calor infernal de dia, frio durante as noites, e chuvas torrenciais no decorrer do período. Uma verdadeira lambança meteorológica. Quando aquelas repórteres lindas e maquiadas dizem que vai chover, pode acreditar, irá!

Coincidentemente, ou naturalmente, já que tudo no mundo é tão interligado, como a própria teoria do aquecimento global comprova... Eu também tenho permeado um período de monções. Não que esteja chovendo torrencialmente na minha vida. Mas tem chovido mm³ acima do normal, com uma freqüência superior a dos anos anteriores. Em todos os aspectos. Até por isso tenho me sentindo um pouco relapso comigo mesmo. Entregue a uma série de correntezas furiosas, é difícil conseguir se agarrar a uma pedra para poder fazer a barba, ou mesmo postar notícias blogueiras para o mundo.

Me sinto um afortunado em meio ao Ganges, rodeado de lama e amor ao ser humano. Mesmo que eu ame seres humanos que amam a lama, e se afundam cada vez mais nela. Paixão pelas origens. Do pó ao pó.
E agora eu sou um cavaleiro solitário, em busca de um eu qualquer que nunca vai existir, porque hoje em dia existem poucos "eus" e muitos "estous". E essas são pedras duras que se escondem nas curvas mais sinuosas.

E da correnteza profissional... Cheiro de Chuva, Máquina de Pinball, Don Juan no Espelho, o anjo Aleijadinho, UFMGs... Encontrei hoje com Maurício no supermercado e ele disse que quer uma "luz", hehehe...

Chove vida, chove amor, chove teatro.

Me adapto as condições climáticas, feliz, sem medo do novo.

Se é esse o objetivo da monção, trazer vida nova ao campo queimado de frio, até que para condições inóspitas, tudo está ainda em seu lugar.

CHUVA!

[02:38:58] João Marcos diz:
Mas que eu falei que ia chover eu falei!
[02:39:20] Rodrigo diz:
Ótimo para dormir!
[02:39:21] João Marcos diz:
Desde sábado eu tô cantando essa bola.
[02:39:34] João Marcos diz:
Eu vi ela chegando de trás da Serra do Curral.
[02:40:03] João Marcos diz:
Não foi atoa que ventou tanto.
[02:40:15] João Marcos diz:
Era a primavera chegando!

Hesitação.

Esboço.
Retenho.
Olho.
Insisto.
Provoco.
Estático.
Desejo.
Sozinho.
Tímido.

Ansiedade.

Controlo o controle.
Controlo o tempo.
Tempo que só avança.
Atento ao fazer.
Ao como fazer.
Se fazer...
Preso em jogos.
Jogadores ousados.
Apostas altas.
Perdas e ganhos.
Sobras de vitórias.
Lutas no meu estômago.
Olhos que devoro.
Realizo o presente.
Pensamentos além.

Insônia.

Cada segundo,
um novo pensamento.
Cada pensamento,
um novo porém.
Cada porém,
uma nova solução.
E assim cansado,
saio a caminhar.

Americans, please go Mars.

Americans, please go Mars.
Leave Earth to us.
And Latin America will rise up.
In a great Mardi Gras block.
Since Fireland to Groenland.
And Arabians will rejoice for their sands.
And Jewishes will follow your dollars.
And Brittish will go Pluto,
because it's colder.

No Kahlua.

Sentar para tomar um café. Tem muito tempo que eu não faço isso.
O hábito de tomar café sempre foi mutio recorrente na minha família. Desde que era uma criança, e minha mãe me oferecia nata de café com leite. Um nojo!
A partir dos dezoito anos entrei para uma turma de jovens intelectuais, filósofos, juristas, economistas, sociólogos e nossas discussões mais acaloradas não eram regadas a vinho e muito menos cerveja... todos esses assuntos eram discutidos em um posto gasolina. E cada assunto surgia junto com um carro ou outro que parava para abastecer e sempre entre uma xícara e outra de café.
Gosto do café sem açúcar. As vezes é preciso sentir gosto amargo também. Doce o tempo todo enjoa. Fora que engorda. E agora eu tenho pensamentos magros.
Tomo este café com saudades dos meus amigos. Lembrando das discussões esotéricas, das egrégoras formadas, dos ponto de vistas discordantes, pelo simples prazer da discussão. Saudades da livre retórica, longe de juízos de valor.
Cafeína esse dias tem me excitado com muito mais intensidade. Principalmente a memória.

Considerações...

Há nove anos moro em Belo Horizonte. Nunca tive problema em me adaptar. Essa cidade recebe quem vem de fora com tanto entusiasmo. Talvez seja porque há uma parte considerável de pessoas de fora, também recebidas com o mesmo entusiasmo pelos nativos, e que assim aprenderam a arte da hospitalidade. Uma cidade hospitaleira. Eis uma boa definição de Belo Horizonte. Ando pelas ruas, em meu melhor momento Clube da Esquina, porque não há nada como caminhar, sorrateiro, sozinho, pelas esquinas, pelos becos, sem acordar os cansados moradores da rua, enrolados em seus cobertos coloridos e submersos em sonhos etílicos. Eu acho bonito essa vida quem dorme na rua. Não que eu concorde com a sua situação, mas eu acho que uma pessoa deveria, sim, ter o direito, e a segurança asseguradas para poder dormir na rua a qualquer hora. Evitaria colisões provocadas por motoristas embriagados, adiantaria muito a minha vida inclusive, num dia de serviço muito cedo, eu iria ao meu local de trabalho, de noite e durmiria lá em frente, para então acordar de manhã, já pronto para a função. Acho bonitas essas rua vazias, que se enchem rapidamente de gente, e que tão rapidamente esvaziam novamente, como um mar de gente. Mar de gente, mar de morros, mar de vidas, mar de culturas, mar de belezas. A terra sem mar, talvez por estar tão longe de onde a vida começou, criou vida própria, nova, variada, toda misturada e de gente de todo o lugar. Brasileiros e estrangeiros, num fluxo contínuo. Ondas de gente. Tsunami de vida que explode nas paredes frias, a resistir as fortes rajadas de Agosto que balançam tão intensamente meus pêlos.
Há nove anos que moro em Belo Horizonte e ainda não parei de descobrir essa cidade. Parece que ela não tem fim... e olha que eu vim de uma cidade do interior, vizinha da maior cidade do Brasil... Passear nos finais-de-semana em São Paulo, fez parte da minha infância e adolescência todas.
Eu deveria ter estabelecido uma relação melhor com a megalópole brasileira. Contudo, eu não troco Belo Horizonte por São Paulo... mesmo com todos os problemas que tem, com as questões sociais, urbanas e mesmo o conflito entre as culturas tradicionais e cosmopolitanas... eu ando sozinho pelas ruas daqui, e acho tudo tão bonito, ando pelos becos tão tranquilo. Acho que eu sempre vou sentir um estrangeiro fazendo turismo por aqui, sem medo qualquer. Portanto, enquanto BH me quiser, eu vou querer ela demais. Então eu tiro fotos para como que agradecer, por ela me dar a oportunidade de ver coisas tão bonitas quanto eu já vi em todas as cidades que eu já tive o prazer de conhecer.
Não sei como terminar esse post, mas eu achei importante fazer essas considerações, que podem parecer meio puxação de saco, mas que para mim, são necessárias de se fazer aqui.

Bela Floresta.

Tenho caminhado muito esses dias.
Muito mesmo!
Como se não sentisse mais as pernas,
nem o folego, que vai rereando
conforme o chão vai passando.
E não me canso
de ver beleza em tudo...
Então tiro fotos,
para aqueles que, como eu,
andam meio sem motivo,
começarem pelo menos
a caminhar
com um olhar
um pouco
mais bondoso
para as coisas.


Rua Maria Inês, vista para a Rua Itajubá.


Rua Maria Inês, vista da Rua Salinas.

O olhar castanho-claro (Charles Bukowski)

Esse estúpido, vazio e maravilhoso olhar castanho-claro.

Darei um jeito nele.

Você não precisa mais me enganar com seus truques de Cleopátra de cinema.

Já se deu conta que seu fosse uma calculadora eu poderia entrar em pane registrando as infinitas vezes que você usou esse olhar castanho-claro.

Não que não seja o que há de melhor esse seu olhar castanho-claro.

Algum dia um filho-da-puta louco irá matá-la então você gritará meu nome e finalmente entenderá o que já devia ter entendido há muito tempo.

Post for post.

I am annoyed.
Extremely annoyed, anguished, angry.
Babbling a thousand arrows myself.
Fearing the power of Krypton that flows through.
Extremely mortal.
That's why I chose to post this in english. For me to remember in universal language: "don't fear being afraid. You're god damned mortal. Fear not have courage"! And I heard from the mouth of Boal himself: -"Theater is a Martial Art". Thought he was saying of how important art is, not that the real struggle was living from it.
I am a fighter. I am Ahroun. I am a Jedi.
May the force be with you.

Misterioso.

Nas ruas desertas
sou minha própria companhia.
Sonâmbulo.
A procurar
o que não quer ser achado.
No deserto das ruas,
um coração deserto,
caminha misterioso.

O dia em que o vento virou.

Tudo começou num dia de inverno. Um dia aberto, sem nuvens, com uma brisa constante, que vez ou outra produzia uma forte rajada de vento fresco e seco. Um trinta e um de Julho diferente, profético, a anunciar a virada de um Agosto chuvoso. Neste dia, ventava em todas as cidades do Brasil, menos em Brasília. Um fenomêno muito diferente. Anunciava em todos os jornais. Chuvia a mais de três dias sem parar em São Paulo. Nevava já a três dias nos estados do sul. E nunca parava de ventar.

O fenômeno perdurou por semanas. Os espiritualistas ganhavam cada vez mais espaço em todos os jornais, a cada dia em que esse estranho e perturbador fenômeno perdurava. - É um sinal de Deus! - A Terra está se mobilizando contra a ganância dos homens! Enquanto no mundo da política, pouco se discutia sobre algo que não causava nenhum problema econômico a curto prazo e já que nada acontecia em Brasília, aparentemente estava tudo bem, e os acordos fechados ainda continuariam em movimento.

O Agosto chuvoso prenunciado, tornara-se o mais frio e seco de todos os tempos. Todos os jornais estavam alarmados. O fenômeno já ganhara destaque nas manchetes climáticas internacionais, e as especulações em torno da ventania que circundava o planalto central brasileiro não paravam de aumentar. E estranhamente em Brasília o ar seco permanecera imóvel. Inabalado. Quente. O sol a tostar a terra impiedosamente. E de noite o ar quente e seco não cessava. Até o dia trinta e um de Agosto... Foi quando aconteceu.

Na meia noite do dia primeiro de Setembro. As massas de ar começaram a ganhar aceleração. Os ventos começaram a perturbar a até então estática massa de ar quente do planalto central. E com tal intensidade, que em poucos segundos toda aquela coluna de ar fez a curva, como diriam o antigos, e como diriam os antigos também, se formou o maior Saci-Pererê da histíoria do país. Um tornado de escala nunca medida antes, varreu a cidade em menos cinco minutos. De repente. Assim, do nada. Ventos e trovões e uma nuvem negra de tempestade se formou sobre esta cidade em ruínas que pouco a pouco começou a se espalhar por todo o país. E lá pelas seis horas da manhã já chovia dos pampas até a floresta amazônica. Sem frio, sem neve, chuva leve, de primavera mesmo, daquela gostosa de se ouvir enquanto se dorme.

Logo de manhã a manchete em todos os jornais. - "Brasília arrasada"! - "Chuva de políticos em todos o país"! Aquele primeiro de Setembro, seria conhecido como o dia do vexame. Se não foi Deus, ou planeta ou seja lá o que causou essas estranhas andanças do vento. Agiu de maneira cruel e furiosa sobre esta cidade.

Precisou de uma catástrofe natural de destruição em massa para levar um país a refletir. Porque até agora, ninguém sabe o que era melhor. Tê-los lá agrupados sozinhos e amargurados
na suas ganâncias e preversões? Ou tê-los entre nós e fiscalizar todo dia a avareza inescrupolasa ao nosso lado? Agora todos tem muito trabalho, porque quando há políticos por toda parte, ao seu lado, a cobrança fica muito mais fácil.

E com a descentralização de Brasília, todos neste país começaram a ter mais acesso aos políticos. E a conhecer suas vidas, e acolhê-los em suas casas e a ir nas casas deles, e logo o sistema começou a se solidarizar com o conforto e a hospitalidade amiga deste povo, que ama com paixão tudo o que faz. E as coisas começaram a melhorar, e a chuva... Bem, a chuva passou, e a primavera surgiu dia vinte e dois de setembro.

Pesquisa II.

Por que uma pessoa inteligente procura um psiquiatra?

Para curar dores invisíveis?
Para aplacar desejos incontroláveis?
Para sanar pensamentos doentes?
Para aplacar um coração sangrento?
Para papear sobre os últimos acontecimentos?
Para tomar drogas lícitas?

Porque acompanha à inteligência o sofrimento da imperfeição.

Engrenagens.

Passo.
Ando.
Pé ante pé.
Sonoro no silêncio.
Me atenho.
O horizonte é belo.
Mas os erros são meus.
E as engrenagens da vida
não rodam para trás.

Sobre a morte de Michael Jackson.

Como parte da mídia informal, despretensiosa e com caráter totalmente artístico, concedo-me o direito de, informalmente, também comentar, despretensiosamente, sobre a morte de Michael Jackson, com um caráter totalmente artísitico.
Há pessoas, como eu que desde que nasceram conhecem esse cara. O morto mais famoso do mundo. Um nome que mesmo depois de morto rende milhões de dólares. Um nome, uma fortuna, uma cultura. Uma nação dá adeus ao Deus do "break". Nome utilizado pelo movimento black do anos 80. Hoje esquecido, como deve ser. A década de oitenta tem que ser esquecida, para que a humanidade possa caminhar nunca se esquece que é para a frente que devemos ir. Um retrocesso econômico, um retrocesso social, um retrocesso estético, mas a década de oitenta rendeu grandes evoluções culturais, sim. Michael jackson, por exemplo, que se transformou da década de setenta para a década de oitenta, saindo do pop-black norte americano dos "Jackson's Five" para a mais importante carreira solo da história. Inventor do Video-Clip e do "moonwalker".
Certamente a morte de Michael Jackson, é uma perda, um impacto a uma humanidade carente de heróis.
(Continuo, depois, se der vontade, por que já estou ficando de saco cheio de falar desse morto.)

A arte de dizer "Quem sou eu".

Inesgotável definição de si. Nunca acaba essa tarefa e quando existe alguma possibilidade de finalização, sempre aparece algo novo que define melhor. Um dia eu sonhei que era ator. Um sonho que poderia me definir. Mas um sonho não serve sozinho. Sonhos servem apenas para serem sonhados. Eu gosto daqueles sonhos que esbugalham nossos olhos de tão acordados quando aparecem. Geralmente estes, daqueles, aparecem quando estamos rodeados de pessoas queridas, também tão esbugalhadas quanto o um. E como todo sonho, um dia ele acaba: "um por todos e todos por um". Porque depois de um sonho, sempre vem outro sonho, e outro, outros. Seguindo a fila, como num abatedouro. Pedaços de carne de sonhos.
Eu, sonho, pedaço de carne onírica. Com medo de pesadelos. Carne entalhada em sonhos, com cicatrizes de pesadelos. Errando certo. Acertando errado. Trilhando uma estrada de tijolos em brasa. Com mãos firmes que me levantam quando caio. Mãos que caminham ao meu lado. E que eu amo.
Eu, sonho, pedaço de carne amorosa que não afastou a cabeça do chão. E no chão tem tanta coisa interessante: objetos, pessoas, objetos de pessoas, pessoas de objetos. Tudo muito incerto quando só se usa o chão para atravessar a multidão.
Eu, sonho, pedaço de carne incerta na multidão. Pensando. Muita informação, fome de curiosidade do mundo. E buscar e conhecer, e viver a experiência dos outros com força de estivador. E viver tudo de novo, na frente de todos. Como num sacrifício cristão para poupar o eterno pobre de sair do paraíso. Para esbugalhar a multidão, de tanto sonho e de tanta carne.
E com tantas mãos, com tantos olhos esbugalhados, com tantos sonhos, e tanta carne tão perto do chão, tão perto da multidão, não me contento em ser óbvio, mesmo que seja o mais óbvio a se fazer. E quando os meus detalhes gritam, minha carne ri.
Por enquanto, por hoje, até agora: eu. Pedaço de carne amorosa, incerto na multidão. Todo certinho e todo errado. Sonhando detalhes que gritam, e que riem quando as luzes acendem.

Pesquisa

Inteligência (hipótese)

Coletar dados do ambiente, processar, descartar as desnecessárias e registrar essas informações para uso posterior de forma a se adaptar as situações e determinar estratégias para agir de acordo com a sua vontade. (Fonte: Globo Repórter).

inteligência s. f.

1. Conjunto de todas as faculdades intelectuais (memória, imaginação, juízo, raciocínio, abstracção! e concepção!).

2. Qualidade de inteligente.

3. Compreensão fácil.

4. Pessoa muito inteligente e erudita.

5. Fig. Acordo, conluio.

6. Harmonia.

7. Habilidade.

Inteligência.

Perceber o inevitável.

Andar por labirintos.

Esconder necessário.

Perceber o inevitável.


(Colaboração: Luiz Felipe D'Ávila).

Nova Serrana.

Fomos apresentar ontem em Nova Serrana o "Safári de Histórias" do Grupo Matraca de Teatro de Bonecos. Muito boa apresentação, todos muito inteiros, jogando, é muito interessante a manipulação de bonecos feita por atores. Eles, por traz do pano, e mesmo com a preocupação de dar o máximo de vida aos bonecos, contracenam um com o outro, fazem poses, se olham, ali atrás. E isso dá uma força à interpretação do boneco. A vida que o jogo proporcina em cena, inevitavelmente acaba recaindo sobre o boneco. O resultado é que esta foi uma das apresentações mais pulsantes de enregia que vi deste espetáculo, até hoje. Parabéns Cauê, Dayse e Gabi. Vocês arrasaram!

PALIMPSESTO

De baixo daquela amendoeira
raspei cortiça com força derradeira.
Moi com sonhos.
Adicionei resina,
resignante.
Prensei e
pensei.
Sequei o molde
e meus olhos.
E o palimpsesto pronto,
dei aos que quiseram
escrever comigo.

Enquanto isso no espaço...